sábado, 1 de agosto de 2015

Plantando, dá!

Há dois anos, pela primeira vez, cogitei a possibilidade de trazer coleguinhas de Leti para nossa casa, para tentar fomentar seu interesse pelos pares. Apesar de não externar, no íntimo, me penitenciava por não fazer investidas neste sentido, coisa que fazia com Lipe desde os seus dois anos de idade.
 
Mas, como ela não se interessava pelos colegas, eu não encontrava energia para seguir por este caminho.
 
Mas neste ano ela começou a me dar sinais de que algo começava a mudar...
 
Primeiro, com a coleguinha da Ciranda (sobre quem falei neste post), depois com as amigas da escola (de cujo encontro com Leti falei aqui).
 
Percebendo o terreno mais fértil, resolvi plantar. Plantar minha primeira sementinha.
 
Depois de uma reunião pedagógica da turma de Leti, conversei com a mãe de uma colega sobre a ideia de tentar promover uma maior aproximação de Leti com as colegas e ela foi super receptiva a um encontro em nossa casa.
 
O primeiro passo estava dado!
 
Apesar de sentir que a ideia era boa, meu coração estava apertado! Tinha medo da reação de Leti, medo da amiga ficar escanteada, medo de dar tudo errado!
 
Buscando minimizar os riscos, achei que seria melhor chamar duas amigas! Vendo duas amigas brincando, seria mais fácil Leti se incluir na brincadeira e, caso ela se recusasse a interagir, as duas teriam a companhia uma da outra para brincar.
 
Levei a ideia a sua monitora de classe e ela me trouxe o segundo nome, que já era quem eu imaginava convidar.
 
Acertei tudo com as mães e, ao longo de duas semanas, fui me preparando e preparando Leti para o grande dia.
 
Conversei com amigos, com a equipe da escola, com a psicóloga individual de Leti, com a equipe da Ciranda. Queria compartilhar minhas angústias e coletar sugestões para que nosso dia fosse perfeito!
 
Não queria montar uma programação prévia para o dia porque sabia que não funcionaria desta forma, mas pretendia ouvir ideias...
 
Da conversa com a psicóloga da escola, o que achei mais importante foi colocar Leti na posição de anfitriã logo na chegada em nossa casa, e propiciar que ela apresentasse às amigas o seu ambiente.
 
A  psicóloga deu uma dica para a qual eu talvez não tivesse me atentado. Sugeriu que, ao longo da tarde, já que eu e a babá estaríamos com as crianças, EU ficasse mais próxima a Leti, para não provocar ciúmes.
 
A conversa com uma amiga querida também me fez remodelar a proposta inicial do encontro, que era pegar as crianças na escola e devolvê-las somente no final do dia. Para assegurar o "gostinho de quero mais", combinamos que o encontro terminaria por volta das 16 horas.
 
Em relação à preparação de Leti, diariamente, lhe falava que tal dia suas amigas iriam a nossa casa e perguntava o que queria fazer com elas.
 
Inicialmente, falou que queria fazer uma apresentação do sítio do pica pau amarelo. Poucos dias antes, esqueceu a ideia e propôs fazerem um bolo juntas.
 
Na véspera, quando retomava com ela a sugestão de algo para fazermos com suas amigas, ela repetiu o desejo de fazer o bolo. O bolo com pedaços de chocolate!
 
Ao ser questionada sobre que bolo seria esse, esclareceu que se tratava do bolo do livro de receitas do Ursinho Pooh, e, de posse do livro, abriu na página certinha mostrando a receita.
 
Eu estava um poço de ansiedade! Há muito tempo não me sentia tão ansiosa!
 
Quando saímos para a escola, uma atitude sua me mostrou o quão conectada ela estava com o nosso momento. Ela, que nunca mais tinha escolhido nenhuma música para escutar no carro em suas idas e vindas por aí, pediu para ouvir a música do espantalho. Inicialmente, não me lembrei de que música se tratava. Mas ela não deixou dúvidas: Do Mágico de Oz.
 
A música faz parte da trilha sonora do espetáculo Mágico de Oz, que ela assistiu em companhia das amigas da escola. Foi seu único encontro fora da escola com as colegas. Achei muito significativa a escolha e tentei lhe mostrar que entendia a relação entre ela e o que aconteceria momentos mais tarde.
 
Quando cheguei na escola, as duas amigas estavam na porta da sala, lindas, esperando por minha filhota. Quando a avistaram, correram e lhe deram um abraço tão gostoso, tão deliciosamente retribuído por minha princesa, que chegou a me emocionar. Naquele momento senti no coração que teríamos uma linda tarde pela frente.
 
Saí da escola com os olhos marejados, para cumprir os compromissos de trabalho que me aguardavam pela manhã.
 
Na volta do trabalho, passei rapidamente em casa para buscar a babá e, com o coração aos pulos, fui dar início a nossa grande aventura.
 
As crianças estavam eufóricas!
 
Em casa, propus que Leti apresentasse seu ambiente às amigas, que logo se encantaram com Lola, a nova integrante da família. (esqueci de fotografar)
 
No momento antes do almoço, Leti não estava muito receptiva a brincadeiras. As crianças se envolveram com Lola, circularam pela casa, guiadas por ela, exploraram os ambientes, até a hora de sentarmos juntos para almoçarmos.
 
Depois do almoço Leti se transformou!
 
Apesar da minha maior preocupação ser a sua resistência para brincar, ela me surpreendeu!
 
Na minha opinião, a brincadeira que ganhou o prêmio de mais divertida da tarde foi uma sugerida por Sophia: esconde-esconde!
 
Fiz uma dupla com Leti e brincamos com as regras que tinha deixado de lado desde que era criança. Nós todas (as quatro) nos divertimos horrores!!! Um turbilhão de sensações: a expectativa de procurar, o susto ao ser surpreendido com alguém saindo de outro lugar e se "salvando" no lugar da contagem, a pressa para correr e registramos o encontro da pessoa escondida. Foi o máximo!
 
Brincamos de faz de conta, com castelo e princesas, de jogos, como porquinho comilão e pula pirata, fizemos o bolo que Leti pediu...


 
Quanto ao bolo, as meninas participaram um pouco, mas não se envolveram tanto quanto Leti e Mateus, que amam estar na cozinha fazendo coisas. Leti ficou eufórica diante dos saborosos ingredientes postos a sua frente. As meninas iam e vinham, intercalando momentos de culinária com brincadeiras com Lola.
 
Depois que colocamos o bolo no forno, Samir saiu com Mateus para que eu pudesse dar atenção integral a Leti e suas amigas.
 
Leti superou minhas expectativas em relação à interação com as meninas (embora isso não signifique 100% de interação). Em alguns momentos ela não conseguia descer ao nível de profundidade de brincadeira das meninas mas, nestes momentos, eu buscava respeitar os seus limites e fazer algo diferente, por perto. A ideia era que o encontro fosse prazeroso! E tenho certeza que foi para todas nós!
 
Quando o bolo ficou pronto, já na hora do lanche, sugeri descermos para fazermos um piquenique. Fomos para a área verde, abrimos uma toalha, arrumamos nosso lanche e, somente ontem, fui bastante permissiva com Leti, deixando que aceitasse todas as guloseimas que a fofa da Júlia insistia em lhe oferecer, cedendo aos seus pedidos melosos.


 
Depois do lanche, as meninas quiseram brincar no brinquedão de madeira que fica ao lado, coisa que Leti detesta fazer. Até tentei ver se ela fazia uma nova investida, mas não teve acordo! As meninas brincaram e ficamos nos arredores. Até que Leti resolveu sentar numa espécie de piscininha decorativa, que chamou de lagoa, e brincar com a água. Ali conseguimos integrá-la à brincadeira de maneira espontânea e feliz.















 
Dali seguimos ao kids club, quando as meninas cansaram e pediram para tomar banho.




 
Fizeram a maior festa no banho de espuma na banheira, de onde deram trabalho para sair.
 
Na saída do banho, Leti ficou chorosa e cansada. Era chegada a hora do fim.
 
Arrumei as crianças, falei com as mães e, conforme o combinado, fui levá-las em casa.
 
A sensação pós encontro foi de puro torpor! As coisas deram mais certo do que imaginei. Compartilhamos momentos tão felizes, minha pequena estava tão senhora de si, tão plena, tão linda.
 
Suas amigas, o tempo inteiro, foram tão atenciosas, chamando-a para a brincadeira, respeitando suas escolhas, repreendendo suas atitudes inadequadas de maneira surpreendentemente natural. Impressionante ver como as crianças lidam de maneira espontânea com situações que podem nos parecer maiores do que efetivamente são.
 
Queria eternizar este dia em minha memória. O dia em que duas crianças de seis anos me mostraram o caminho para auxiliar minha pequena na construção das relações de amizade, tão necessárias para a sua saudável trajetória pela vida.


 

3 comentários:

Solange Carneiro disse...

Janaina, como já te falei você me emocionou quando fez o convite e me emocionou também com esse relato.
Desde o convite até a sexta feira, não houve um só dia que Julia não me perguntasse quantos dias faltavam para ir brincar na casa de Letí :-).
Fico muito feliz de ver minha filha participando espontaneamente desse momento tão especial, de saber que o encontro foi um sucesso e que todas vocês aproveitaram bastante! E mais ainda, que Letí curtiu!
A maneira afetuosa com que Júlia se aproxima das amigas sem fazer qualquer diferenciação me diz que tenho acertado nas minhas escolhas no modo de educá-la. Essa experiência sua é minha também e eu só posso te agradecer e desejar que você seja muito feliz e que continue nesse caminho lindo de cuidado com Letí com muita serenidade e amor!
Julia ficou encantada! Chegou em casa muito feliz!
Muito obrigada mais uma vez, pelo convite e pelo cuidado e afeto demonstrados por minha marronzinha (Júlia)!

Sheilla Amorim A Mascarenhas disse...

Jana, obrigada pela inspiração! Se eu tivesse que escolher uma palavra para definir você em minha vida, essa palavra seria "inspiração". Um abraço apertado (que você adora)!

Vaneska disse...

Jana, fiquei sem ar... Cada palavra me fazia sentir o coração cheio e com uma vontade de explodir de felicidade pensando nas conquistas de Leti e em toda a sua alegria!!!
Amo Vocês!
Beijos.

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