quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A felicidade mora no caminho, não no final...

 
 
 
Começo a escrever este post com a sensação que não vou conseguir sistematizar tudo o que quero de uma maneira organizada. Um filme passa na minha cabeça. E só agora, que sinto meu coração em paz em relação a Leti, que se encontra novamente plena e tranquila, é que me permito parar para refletir sobre o processo vivido por Teteu na escola este ano. E perceber isso me dá um apertinho no coração. É como se reconhecesse que o tempo para ele fica condicionado ao bem estar da irmã. E não é bem assim. Ou talvez seja um pouco assim, sim. Seja como for, a cuidadosíssima pediatra dele, antes mesmo de mim, já havia se atentado sobre a necessidade dele ter um espaço próprio para poder colocar, da sua maneira, suas questões em relação ao seu lugar na família, e recomendado um acompanhamento psicológico, que ele está amando, para nos auxiliar no seu processo de desenvolvimento.
 
Aberto este pequeno parêntese, é hora de refletir sobre seu processo pedagógico ao longo deste ano. E alguns pontos instigam mais a minha reflexão:  o papel da pró em seu processo de aprendizagem; a fase em que se encontra no processo de alfabetização; as conquistas alcançadas ao longo do ano; e sua reação nos momentos de atividades que demandam exposição.
 
Teu termina o G5, ano anterior ao da alfabetização, ainda na fase silábica, usando normalmente apenas uma vogal para cada sílaba da palavra, e com pouca consciência fonológica.
 
Avançou muito no aspecto lógico-matemático e apresentou uma compreensão substancial dos conteúdos trabalhados no Projeto "Todo Dia é Dia de Índio".
 
Me surpreendeu, quando visitamos o Museu de Lasar Segall em São Paulo, artista estudado no segundo semestre, ao reconhecer algumas obras e identificar características nelas apresentadas.
 
 
 
 
 
Melhorou sua motricidade, ampliou seu repertório de jogos e brincadeiras, estreitou relações no âmbito escolar, expandindo-as para fora dos muros da escola.
 
 

 
Mas o aspecto que mais chamou minha atenção este ano foi o desempenho nas atividades que demandam exposição.
 
Como ele é sempre muito extrovertido e conversador, me causava um tiquinho de frustração ver seu constrangimento nas apresentações da escola. Ele participava muito pouco no momento da apresentação, sempre envolvido em bocejos, mesmo que tivesse dormido por 12 horas na noite anterior, e não demonstrava, nos dias que antecediam o dia D, envolvimento com aquilo que iria apresentar.
 
Mas este ano foi diferente!
 
Por todo o segundo semestre, ele vinha trabalhando nas aulas de música e de teatro o Projeto Saltimbancos. E é fácil imaginar como deve ser divertido estudar teatro e música tendo como pano de fundo o riquíssimo repertório dos Saltimbancos.
 
Eu, que AMO as músicas, aproveitei para voltar a ouvi-las com regularidade no Spotify quando ele estava no carro, mas sem grandes expectativas em relação à apresentação.
 
Mas eis que, na véspera da apresentação, ele, empolgadíssimo, começou a dançar a música da galinha, do jumento, da gata, de todos juntos... e o papel dele era de cachorro!!!
 
Fui a êxtase! Já estava satisfeita com aquela apresentação particular, que tudo o mais para mim seria lucro.
 
Mas no dia ainda teve mais! Ele apresentou lindo a sua coreografia do cachorro, vez por outra olhando para o lado, para se certificar do passinho, vez por outra abrindo um bocejo... mas o resultado foi lindo, tocante, por significar, para mim, uma superação do meu pequeno.
 
Atribuo parcela da confiança que ele demonstrou, ao se despir do seu constrangimento para dar vida a um lindo cachorro saltimbanco, à forte presença do professor Fernando ao lado do seu grupinho, na cena. Ele sempre repetia, numa vibrante entonação: "professor Fernando vai ser cachorro também...". Fernando, para mim, é sinônimo de intensidade, de entrega. Com certeza, sua presença ali foi fundamental para passar confiança a meu pequeno naquele desafiador dia de apresentação.
 
No começo da apresentação, Fábio, seu professor de teatro, falava do significado teatro dentro do contexto escolar. Dizia que o objetivo do teatro não é formar atores, mas oportunizar, através da arte cênica, o desenvolvimento de habilidades nas crianças, importantes para a vida de uma maneira geral. Explicava a forma gradativa como o trabalho é feito, iniciando, no grupo 2, com os pais no palco junto com as crianças, passando para uma etapa em que os professores o acompanham no momento da apresentação, para seguir, depois, para a ocupação plena do palco. Dizia que esse era o último ano em que eles (professores) estariam no palco no momento da apresentação, e relatava o quanto tinha sido divertido todo o processo de produção do espetáculo, quando cada criança tinha tido a oportunidade de vivenciar todos os papeis, encontrando-se aptos, inclusive, a representar qualquer personagem (na mesma hora me lembrei de Teu representando galinha, jumento, gato... com tanta propriedade).
 
Se eu já amava o trabalho dele na escola, a partir daquele momento virei fã de carteirinha. Mentira! Eu já era fã de carteirinha... rs
 
Foi delicioso perceber que o compromisso com o resultado final do processo não suplanta o compromisso com a diversão das crianças e o respeito a suas individualidades; foi lindo sentir o quanto todos se divertiram no palco; foi confortante perceber a intencionalidade de todo o processo e constatar que um trabalho feito com tanto amor não tem como dar errado. 

 
 
 
Minha gratidão aos maravilhosos professores Fernando e Fábio.

Saí da escola aquele dia visivelmente emocionada e sentindo uma gratidão que não cabia no peito por ter tido a oportunidade de contar com parcerias tão valiosas neste importante ano letivo do meu filhote. Um ano que me preocupou um pouco porque os avanços em torno do processo de alfabetização não seguiram o ritmo que eu esperava mas que me reservou tantas lindas surpresas.
 
Gratidão por ter na condução central do seu processo de aprendizagem uma professora tão competente como sensível, como Adriana, que, sempre muito atenta às características e necessidades do meu filho, fez as intervenções necessárias para favorecer seu processo de crescimento pessoal e cognitivo, na linguagem que ele entende com mais propriedade, que é a linguagem do amor.
 
Para além do tão importante trabalho pedagógico desenvolvido junto a Teu, muito me confortou perceber que meu filho, tão sensível, amoroso e perspicaz, encontrava junto a sua professora o carinho que eu lhe dava em casa, o colo que eu ofereceria para acalmar suas dores, o ouvido atento para entender (e ajudar a solucionar) os seus conflitos...
 
Enchia meu coração de amor perceber seu esforço para aproveitar cada pequena oportunidade de encontro de Teu com Leti na escola para interpretá-lo, junto a ele, como uma demonstração de amor de um pelo outro, reforçando o vínculo que os une.
 
Deixaram-me mais segura suas pontuações sobre os avanços de Teu ao longo do ano letivo, acompanhadas de sugestões lúdicas para favorecer seu processo de letramento, cujo prazo de construção ainda se encontra em andamento, e com uma razoável folga.
 
E fazendo um balanço de tudo vivenciado por Teu, não ficam dúvidas quanto aos inúmeros avanços cognitivos que ele conquistou, que não teriam nenhuma razão de ser se não viessem acompanhados do respeito a suas individualidades, tornando o processo leve e feliz.
 
Findo mais um ano de sua vida escolar, sinto-me na obrigação de render minhas homenagens a esta linda e completa profissional, que não mais acompanhará a turma, mas segue deixando uma marca indelével em nossas vidas.
 
Adri, a você, meu amor e gratidão!
  
 

 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Seja feita a sua vontade

Ao arrumar as malas, na véspera do feriado de 8 de dezembro, apesar das expectativas, não fazia ideia do que nos aguardaria em Aracajú.

Aliás, eu tinha, sim, uma vaga ideia. Leti melhorava de uma sinusite aguda que havia deixado sua saúde debilitada como nunca, Mateus estava empolgadíssimo com a viagem e todas as suas possibilidades e eu, ao tentar montar uma programação, sentia, no fundo do peito, que algo de bom estava por vir.

Aproximadamente 10 dias antes, Leti, numa despretensiosa conversa no carro, havia mencionado o desejo de fazer uma viagem de carro.

Estas conversas, apesar de mais frequentes, para minha grande alegria, ultimamente tinham se tornado mais raras, dando lugar a uma sonolência excessiva e ao retorno de alguns comportamentos autoagressivos, por conta de uma fase de transição medicamentosa.

Ter aquele start fez meus olhos brilharem e acendeu meu desejo de proporcionar à minha pequena, e, por consequência, a nossa família, um momento de deleite no ritmo e no estilo que melhor lhe conviesse.

Naquele mesmo dia, defini o destino com o papai, reservamos o hotel e sinalizamos para Leti que, assim como ela tinha pedido, faríamos uma viagem de carro.

Escolhemos Aracajú por conta da sua proximidade, da sua orla completamente kids friendly, das suas diferentes opções de lazer, e também para sair um pouco do destino natural, que seria Praia do Forte.

A escolha não poderia ser mais acertada! Tivemos passeios ao ar livre, praia, hotel fazenda com parque aquático, museu, piquenique, animais marinhos, comilança, shopping... [volto noutro post com o roteiro detalhado] Leti esbanjava sorrisos, conversas fiadas, tiradas bem humoradas...

No primeiro dia, o da viagem, cheguei a ficar preocupada, porque ela dormiu antes da viagem, durante a viagem, e quando chegou ao hotel. Fiquei com medo do sono atrapalhar nossos passeios, mas, ledo engano! Nos dias seguintes aproveitou intensamente a programação, deixando bem marcado aquilo que não queria fazer, o que era respeitado.

A marca registrada da viagem foi seu sorriso e sua irreverência e isso ficou bem evidenciado nas fotos que fizemos, que servirão para eternizar os lindos momentos que lá vivemos.




quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Um dia após o outro...

Ontem passei o dia inteiro me preparando psicologicamente para escrever um texto aqui, à noite. Mas a noite chegou, sentei-me em frente ao notebook, e nada me ocorria que valesse à pena deixar registrado. Não conseguia organizar as ideias, por mais que me esforçasse.
 
No corpo, o cansaço da noite mal dormida; na mente, o turbilhão de informações extraídas das últimas conversas com os profissionais que acompanham minha pequena; no coração, uma pesada sensação de desânimo.
 
Divaguei relendo os últimos posts e revivendo as alegrias que eles conseguiram eternizar e preferi adiar meus planos de escrever, optando por ler um livro.
 
A noite que se seguiu não foi tão exaustiva como a anterior, unicamente porque o responsável por atender às demandas de Leti era o papai, de acordo com nosso esquema de revezamento, mas, ainda assim, passou longe de ser a tranquila e energizante noite de sono que todo mundo deveria ter, já que, por diversas vezes, foi interrompida pelas batidas de porta de Leti, clamando por atenção.
 
Esta cena, que vem se repetindo aqui nas últimas semanas, tem nos levado ao limite da exaustão física e ontem, em particular, me desestabilizou.
 
O fato é que eu tenho uma maneira diferente (em relação a Samir, por exemplo) de lidar com o cansaço decorrente de uma noite de sono mal dormida.
 
O cansaço extremo causado pelo sono potencializa, em mim, sensações negativas, ativa a desesperança, me deixa extremamente "borocoxô". E era que me sentia ontem.
 
Dirigi para o trabalhando chorando, sem conseguir identificar, ao certo, o motivo das lágrimas.
 
Lembrava-me que Leti não estava em sua melhor fase. Com as alterações que fizemos em sua medicação, seu sono havia se desajustado, ela tinha voltado a se machucar (mas não com a intensidade do início do ano), estava produzindo pouco na escola... Lembrava da minha irritação de madrugada, ao tentar fazê-la voltar a dormir, sem êxito, às 3 da madrugada, quando ela acordara com a disposição de quem parecia ter descansado por oito horas seguidas. Sentia-me invadida por uma culpa sem tamanho por não ter tranquilidade para entender que seu corpo não pedia descanso naquele momento, quando o meu implorava por um pouco de tranquilidade.
 
Tudo era motivo para chorar...
 
Tenho, nos últimos dias, conversado com os profissionais que atendem minha pequena para pensarmos juntos na melhor formas de atravessar (mais) esta turbulência.
 
Mas o fato é que hoje, mesmo sem dormir bem, ela acordou melhor.
 
Foi à pedagoga cedo com o papai e, quando fui buscá-la, me recebeu com sorrisos e brincadeiras; passou a manhã inteira acordada na escola (coisa raríssima nas últimas semanas), permitindo-se participar de algumas atividades; no intervalo do almoço escolheu um desenho para ver no Netflix e proporcionou um delicioso e divertido programa de família para mim e para seus irmãos; venceu a tarde de maneira tranquila, sem cochilos, com direito a caminhada e natação e, à noite, me chamou para ler uma história antes que adormecesse.
 
Tenho convicção que este "dia fora da curva" em relação ao que temos vivido por aqui nas últimas semanas é uma aviso divino para tranquilizar meu coração e me mostrar que logo, logo, tudo estará nos trilhos outra vez.
 
 
 

sábado, 2 de setembro de 2017

MInha Metamorfose Ambulante

Tal como a borboleta, Leti vem se metamorfoseando. Para nossa sorte, seu ciclo de transformações está sempre se renovando e nos surpreendendo. Para nossa alegria, tal como a borboleta, seu processo de metamorfose provoca grande encantamento àqueles que têm o prazer de conhecer e vivenciar este processo.
 
Nesta semana vivemos um momento que intensa emoção que bem ilustra tudo que afirmo.
 
Sua professora fazia uma revisão de Ciências com a turma e Leti parecia alheia a tudo que ela falava. Buscando incluí-la e avaliar sua atenção, a professora, num rompante, convocou-a:
 
- Leti, qual o ciclo da borboleta?
 
Depois de alguns segundos pensativa, ela respondeu:
 
- Ovo, lagarta, casulo e borboleta!
 
A resposta correta levou todos os colegas ao delírio, que, batendo palmas, começaram a ovacioná-la:
 
- Leti, Leti, Leti, Leti!!!!!!!!!!!
 
Como se não bastasse, chegaram em casa eufóricos, compartilhando com as respectivas famílias a grande conquista da minha pequena no dia.
 
Apesar de não ter presenciado o momento, só de imaginá-lo meus olhos se enchem de lágrimas e meu coração de amor e gratidão, pela oportunidade de ter em nosso caminho crianças tão especiais que fazem a diferença na vida da minha filha...
 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Um Domingo com Ilan Brenman

No ano passado, a escola dos pequenos trouxe para o evento literário anual o escritor Ilan Brenman, que, até então, eu não conhecia.
 
Fiquei apaixonada pelas obras do autor e trouxe vááááários livros para casa (confesso que sou meio compulsiva por livros infantis).
 
Alguns deles ficaram na cabeira de Leti e Teu por um bom tempo.
 
Neste fim de semana, sem qualquer planejamento, dois deles protagonizaram momentos maravilhosos em família por aqui, quando propus termos uma manhã sem telas.
 
O primeiro deles foi Telefone sem Fio.
 
Este sempre foi um dos preferidos de Leti que, às vezes, apenas quer ver as imagens, às vezes demanda que eu "conte" a história, e, em outras, permite-se ser a narradora. Estes, sem dúvida, são os meus momentos preferidos.
 
Ontem foi assim.
 
Espontânea e livremente, folheou o livro e ia atribuindo falas aos personagens, de acordo com a sua percepção do que via.
 
Foi um momento único, lindo, de puro deleite, depois do qual corri para uma mesa para anotar as frases, para não perder o valioso registro.
 
Trago aqui, então, a versão da minha princesa para o livro Telefone Sem Fio, de Ilan Brenman:
 

 














 
 
Momentos depois, quando falávamos sobre os espetáculos em cartaz nos teatros da cidade, lembramos de outro livro de Brenman: Minha Mãe é um Lobo.
 
No livro, a personagem propõe aos pais, depois do almoço, quando todos querem descansar, brincar de teatro, encenando a história da Chapeuzinho Vermelho, uma das preferidas de Leti.
 
Leti e Teu se mostraram imediatamente abertos à proposta de fazermos o nosso teatro em casa e se engajaram na distribuição e caracterização dos personagens.
 
Leti foi Chapeuzinho, Teu foi o caçador, eu a mamãe, Samir o lobo e Mamau (dinda de Teu), a vovozinha.
 
Leti resistiu um pouco mas usou um vestido e um chale na cabeça, ambos vermelhos, e portou uma cestinha; Teu usou um capacete de operário e uma arma de Star Wars; Samir colocou na cabeça a parte de uma fantasia de cachorro de Teteu e eu e Mamau ficamos como estávamos.
 
Queria ter podido gravar a cena para assistir mil vezes!
 
Todos estavam tão entregues. Foi tão lindo!!!!!! Nos divertimos tanto!!!!!!!!!
 
Preparei um bolo imaginário com Leti e permaneci ao seu lado, para auxiliar em sua atuação. Ela passou pelo lobo, cheia de caras e bocas, chegou à casa da vovó, que já estava escondida atrás da cortina enquanto o lobo ocupava seu lugar, deitado no sofá. O lobo lhe fez as tradicionais perguntas, às quais ela respondia muito compenetrada e, quando ouviu dizer que ele ia lhe comer, gritou com vontade, fazendo cara de assustada. Cômico! Teteu entrou em cena, todo inflado da sua importância, matou o lobo, sendo convidado por Leti-Chapeuzinho para fazer um lanchinho junto com a vovó.
 
Foi tudo tão casual, tão nosso, tão delicioso! Pagou nosso fim de semana.
 
Quem sabe da próxima vez, liberamos o acesso a convidados???? rs
 
 

domingo, 2 de julho de 2017

Minha Flor de Maracujá

 
Hoje sou emissária de notícias felizes. Mais uma vez. Hoje quero falar sobre ontem. Sobre mais um dia feliz com a minha princesa. Mais um dia em que mudamos o cenário de nossas caminhadas matinais e o resultado foi surpreendente!
 
Mas ontem a alegria teve um sabor diferente. De maracujá com leite condensado.
 
Ontem, pela primeira vez em nem me lembro quanto tempo, consegui fazer um passeio sozinha com Leti e Mateus e o passeio foi MARAVILHOSO!
 
Ontem sugeri fazer nossa caminhada na Praça do Campo Grande e Mateus quis ir junto. Como seria apenas uma caminhada, resolvi levá-lo junto.
 
Até pouco tempo atrás, sequer cogitaria me aventurar nesta empreitada. Mateus faz o tipo grude, que quer atenção exclusiva e Leti, quando não quer(ia) algo, pode(ria) se jogar no chão, apertar bochechas, bater em pessoas, e, até, fazer xixi na roupa. (O desfralde ainda não é uma página completamente virada por aqui, embora o avanço dos últimos meses seja entusiasmante!)
 
Sempre que queremos fazer um passeio com os dois, procuramos estar os dois juntos, eu e Samir, para trabalharmos no sistema de marcação um pra um.
 
Ontem, então, foi um dia histórico!
 
Calcei os tênis dos dois, coloquei-os no carro e segui para o Campo Grande, enquanto o maridão fazia mercado.
 
Já fazia tempo que queria ir lá com eles, resolvi arriscar.
 

Leti mais uma vez aceitou o convite e seguiu serelepe para o nosso programinha. Não me lembrava como o Campo Grande era lindo! Tem espaço para caminhar, brincar, pedalar; fontes, lagoa cheia de peixes, pombos, parquinho, equipamentos de ginástica, monumentos...
 
Combinamos que daríamos uma volta completa e depois pararíamos para um picolé e uma brincadeira no parque.
 
É verdade que houveram umas paradinhas pelo caminho: para brincar com um cachorro, para olhar os peixes, para tirar umas fotos... E tudo correu tão bem... Os meninos respeitaram o desejo do outro, exercitaram a espera, se desentenderam também vez por outra. Mas que irmãos nunca?
 
  
 
Finalizada a volta prometida, foi hora de chupar o picolé e brincar. Este, normalmente, também seria um momento problemático, já que Teu sempre quer brincar sem parar e Leti corre léguas de brincadeiras em parques.

Mas ela estava plena e aceitou simplesmente observar por um tempo, enquanto crianças brincavam, e depois se arriscou a aproximar-se do irmão enquanto brincava: o empurrou no balanço, dando deliciosas gargalhadas, esteve ao seu lado enquanto descia na escorregadeira e ajudou a levantá-lo na gangorra.

 

Quando me descuidei por um minuto, ela fugiu, ultrapassou um obstáculo e foi parar do lado do carrinho do picolé. Leti sendo Leti... rs
 
Mas até isso teve um sabor diferente, já que em todas as últimas caminhadas, apesar da sua disponibilidade, ela sempre demonstrava insegurança, caminhando só segurando a minha mão.
 
Ontem ela não só aceitou caminhar solta, como correu, se escondeu e venceu obstáculos. Estava muito à vontade no ambiente.

 
 
Ao parar para escrever este post, e documentar a alegria do primeiro passeio sozinha com meus pequenos, sem intercorrência que me fizessem voltar antes da hora para casa, fiquei tentando imaginar o que teria acontecido com Leti para que ela viesse a se mostrar tão plena nos últimos dias.
 
É verdade que ela vem demonstrado uma melhora no seu estado geral já há um tempinho, mas agora tem algo diferente no ar, porque ela tem se mostrado mais aberta, disposta, disponível, mais tranquila, mais plena, mais feliz...
 
Será que foi a passiflora que a homeopata prescreveu há 15 dias????
 
Seja o que for, que Deus a conserve assim.
 
 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Novos cenários para a velha caminhada


Apesar de minhas férias terem começado oficialmente ontem (e elas já estavam agendadas antes de eu precisar tirar licença prêmio para cuidar da minha pequena), só hoje consegui me liberar do trabalho para aproveitá-las.
 
E acho que Leti, mesmo sem saber, pressentiu o clima de férias.
 
Invadiu meu quarto cedinho, descartou a companhia da babá, venceu obstáculos pelo caminho (sim, o quarto tava uma zona!), e me disse de maneira sedutora: "mamãe, eu quero resenhar".
 
Subiu em minha cama, deitou ao meu lado e ficava se aninhando em mim como gato, dizendo que queria ver TV.
 
Acho que ela ainda não entende o exato significado da expressão resenhar, então aproveitei a oportunidade para tentar explicar e, de quebra, para tentar tirá-la um pouco da TV.
 
Ficamos um tempão (para ela um tempão pode variar em torno de 10 a 15 minutos) deitadas conversando  e ela esbanjava animação!
 
Num determinado momento começamos a brincar de caras e bocas. Ela dizia o sentimento, eu fazia a carinha correspondente. E daí passamos pelos conhecidos feliz, triste, raiva, sono, fome... até que surgiu o PREOCUPADA. Uau!!!!! Mais um sentimento para o repertório, e um pouco mais abstrato que os velhos conhecidos... Como cada pequena conquista, esta também foi amplamente comemorada.
 
Ela estava mais carinhosa que o usual, e me encheu de beijos molhadinhos.
 
Quando cansou, levantou e foi para seu quarto.
 
Tempos depois, a babá surgiu com ela, dizendo que iam caminhar pelo condomínio. Pedi que aguardasse um pouco porque faríamos uma caminhada diferente desta vez.
 
Como vi a roupa que estava vestida (que tinha comprado igual pra mim, para usarmos numa viagem), resolvi vestir a mesma, sem falar nada.
 
Quando entrei em seu quarto, e pedi que olhasse para mim, seus olhinhos brilharam quando percebeu que estávamos iguais! Foi tão lindo de ver...
 
Convidei-a para caminharmos no Dique e ela desceu num pulo, como NUNCA faz, vez que quando não se nega a ir, acaba tentando negociar para ir mais tarde.
 
Fiquei impressionada!
 
Na hora que Mateus me viu pegar a bolsa, começou a chorar querendo ir junto, mas lhe disse que aquele seria um passeio de meninas e que ele não poderia ir. Seguimos só nós duas e percebi sua expressão de satisfação quando entramos no elevador.
 
O caminho até o Dique foi de papo solto, sorrisos e cumplicidade!
 
E, apesar d´ela resistir um pouco para descer quando estacionamos o carro lá, o passeio foi recheado de momentos bons.
 
Ela caminhou com desenvoltura e prazer! Observava atentamente tudo que lhe mostrava, demonstrando interesse. Vimos pessoas andando de caiaques, trabalhadores catando folhas secas pelo chão, "patos" (que nos ensinaram lá se tratarem, na verdade, de gansos) sendo alimentados, barquinho atracado, barquinho 'naufragado', árvores lindas (sempre tenho um olhar especial para as árvores), pessoas caminhando em ambas as direções, parquinho de areia enlameado por conta da chuva de horas antes, orixás...
 
Cada coisinha que víamos, rendia um comentário, uma história...
 
Vi, pela primeira vez, lá uma placa explicando o significado de cada orixá. Como estava um pouco avariada, não dava para identificar com precisão cada um. Sugeri que nos aproximássemos para olhar, e ela aceitou. Conversamos, então, um pouco sobre Yemanjá. Nesta hora, ela lembrou de um passeio de pedalinho que fizemos anos antes ali, quando ela, de acordo com os símbolos que identificava, ia dando seus próprios nomes aos orixás e, à Yemanjá, tinha dado o nome de Branca de Neve por conta do espelho.

Vimos um homem pescando em um banco de areia no meio da lagoa, parecendo estar se equilibrando sobre as águas e, no exato momento que passamos, ele tinha conseguido pegar um peixe. Ela, espontaneamente, e num tom um pouco mais alto que o usual, soltou um "vou comer o peixe", arrancando sorrisos de quem passava por perto.

Apesar d´ela ainda mostrar um pouco de insegurança na caminhada externa, fazendo questão de estar sempre segurando a minha mão, ela, curiosamente, parecia mais leve e segura.

Sinto, na verdade, que a nossa relação vem passando por uma fase de transição.

Ela, que sempre foi escancaradamente mais apegada ao pai, começa a fazer mais questão da minha companhia, a demandar mais pela minha presença, a demonstrar mais carinho através de beijinhos molhados e aconchego, a sentir mais prazer nos programas que proponho.

E ela, que é uma negociadora nata, e tem sempre um "mais tarde" ou "amanhã", para qualquer proposta que demande um mínimo que seja de esforço físico, tem se mostrado mais aberta, caso o programa seja comigo.

Não precisa nem dizer que ando irradiando felicidade pelos poros e pedindo que esta fase dure para sempre.
 












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